quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Bli bli bli





"Filho da Dona Ana, mãe solteira, cresceu em uma selva de pedra, mais um filho pardo e sem pai." 


  Com essa citação inspirada no Mano Brown, que começamos nossa conversa com Tiago "Dequete", 32, mineiro nascido em Belo Horizonte, filho mais velho da Dona Ana, grafiteiro e um dos principais responsáveis por levar cores pelas ruas do nosso Udão cinza com suas artes.


foto F.Vianna


  Foi um adolescente tímido, com dificuldade de relacionamento, cresceu sem pai e devido a sua desestruturação familiar, a figura masculina que poderia ser um exemplo de pai presente agredia sua mãe, e foi no desenho que ele encontrou refúgio. 


"Desde que eu me entendo por gente eu desenho. As vezes brinco que o ventre da minha mãe é todo desenhado. Eu já sai rabiscando!" 


foto F.Vianna
  Pelo caminho da escola, curso ou trabalho o que chamava sua atenção eram as pichações pelas ruas, mas ele não entendia o que era aquilo e transferia os rabisco e desenhos que via para seu caderno. Com 16 anos ele conheceu a galera da pichação na escola, ele mergulhou no pixo de cabeça, criou uma figura anônima e foi para as ruas. "Você dava um rolê a noite com os camaradas, catava altos picos, aquela adrenalina, o risco, e chegava no outro dia na escola e todo mundo já tava com seu nome na boca. O cara que era bobão, tímido, travadão de repente vira um astro, o bairro inteiro começa a comentar dele.  Isso me dava mais vontade de entrar no pixo."

  Dentre os decorreres e andanças pelas ruas, o despertar da inveja de algumas pessoas
foi inevitável que passaram perseguí-lo por causa do seu destaque. Foi quando entrou para uma gangue para que tudo fosse resolvido, mas por outro lado os inimigos dos seus novos amigos, também viraram seus inimigos, e o nível já era outro. Para aceitação do seu novo grupo, por mais que ele não gostasse, acabou se envolvendo com drogas, furtos e brigas de torcidas organizadas. Mas ele era uma pessoa diferente, sabia que seu lugar não era ali, e alguém também enxergou isso nele, o líder da gangue "Estávamos em um baile funk usando drogas, e ele virou pra mim no meio da galera e disse: Cara, você não precisa disso, a gente ta tudo fudido, mais você é diferente!". Segundo ele isso ecoa dentro dele até hoje, mas na época ele não deu ouvidos e continuou no mesmo caminho a procura do seu auto-reconhecimento. 

foto F.Vianna
  Em 2001 foi vítima de uma tentativa de homicídio, uma gangue rival o pegou para servir de recado para os outros jovens com quem ele andava e acabou levando seis tiros."Foi um divisor de aguás na minha vida. Porque eu saquei que não era para eu estar vivo. Ninguém leva seis tiros em um dia e levanta no outro pra contar a história, mas foi isso que aconteceu comigo".  Desde então o indivíduo que era o pixador ou o cara que era envolvido com os tumultos não existia mais. "Eu tive a oportunidade de me encontrar com o cidadão que tentou contra minha vida, a história poderia se repetir ao meu favor, mas eu optei por fazer diferente e olhar no olho dele e perdoá-lo".

  Depois de passar por toda essas situações foi apelidado pelos amigos de The Cat (O Gato) por causa das suas sete vidas. "Eu brinquei com a forma da pronuncia e escrita errada feita pelos brasileiros e no final ficou Dequete". O Gato é o personagem criado e grafitado por ele pelas paredes da cidade, representando a sua sobrevivência. A escolha das cores verde, laranja e azul segundo ele são para um padrão estético, virar um símbolo urbano e ficar marcado na mente das pessoas. O Gato evoluiu com o tempo, como podemos ver abaixo:


(a esquerda o gato em 2002 / a direita o gato em 2015)



"Eu preciso pintar. Eu preciso estar na rua. Isso me faz vivo!"



  Hoje Dequete está em Uberlândia, é graduado em artes, já participou de vários eventos pelo Brasil  e tem como objetivo levar sua visão e história para jovens através da sua arte. Pela sua trajetória ele passou por projetos sociais e ONG's como o Programa Fica
Vivo que tem como objetivo ajudar jovens que ninguém mais tem esperança, e ele aproveita para mostrar que um dia ele foi igual eles e venceu todos os obstáculos. Entre alguns projetos para o futuro esta presente o 1º Mutirão de Grafite de Uberlândia, para levar nosso Udão para reconhecimento nacional e internacional com o street art, junto com a grafiteira Karen Kueia.

foto F.Vianna


  Para encerrar perguntamos pra ele alguma frase, palavra ou música que o inspirasse a seguir todos os dias grafitando pelas ruas, a resposta foi um trecho da música Jesus Chorou do Racionais Mc's: "Eu tenho uma idéia e propago isso, todo mundo precisa de dinheiro, mais dinheiro não me compra, dinheiro não compra meus ideais." O trecho da música escolhido foi:


"Mas a dona Ana fez de mim um homem e não uma puta!"
(Jesus Chorou - Racionais Mc's)







Confira mais um pouco do trabalho do Dequete:
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Tiago Dequete



Facebook: Dequete
Instagram: @dequete


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